A Criação Incessante e a Dissolução do Mal: Uma Perspectiva da Eternidade

 



A Criação Incessante e a Dissolução do Mal: Uma Perspectiva da Eternidade

O Espiritismo, ao se referir a Deus como a “Inteligência Suprema e Causa Primária de todas as coisas” (O Livro dos Espíritos, Q. 1), não pretende defini-Lo, mas apenas indicar uma concepção acessível ao entendimento humano. Apresenta, assim, um Criador cuja ação é incessante, em consonância com a máxima de Jesus: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5:17).

Surge então uma reflexão inevitável: se Deus cria Espíritos continuamente, estariam o mal e a dor destinados a permanecer no Universo para sempre? Para compreender essa questão, é necessário elevar o olhar além das limitações de tempo e espaço..

O Erro como Possibilidade no Exercício do Livre-Arbítrio

Diferente de sistemas teológicos dualistas, o Espiritismo ensina que o mal não possui substância própria; ele é a privação do bem, assim como a treva é a ausência da luz. O Espírito, em seu estado inicial, é como uma criança que ainda não sabe andar: tropeça, cai, mas aprende. O "erro" surge do uso imperfeito do livre-arbítrio, sendo um fenômeno relativo e finito. Para cada indivíduo, ele termina no momento em que a consciência atinge maturidade. Assim, a criação contínua de novos seres não perpetua o mal de forma absoluta, mas garante que o Universo seja sempre um palco dinâmico de aprendizes em processo de despertar.

A Plenitude da Luz e a Transitoriedade do Tempo

A concepção de que o bem necessitaria do mal para ser devidamente valorizado é apenas um recurso pedagógico, válido unicamente nos mundos de Provas e Expiações. Nos Mundos Puros, a luz se manifesta sem a contraposição da treva. Nesses planos, a harmonia é plena e o mal deixa de ser instrumento de crescimento. É o que simboliza a visão da Nova Jerusalém: “não haverá noite” e a cidade “não necessita de sol nem de lua” (Apoc. 21:23-25), pois a luz divina é plena e onipresente. O tempo, nesse contexto, é apenas a moldura do aprendizado; a Eternidade é o estado natural do ser pleno, pois foi na Eternidade que ele teve origem e é para ela que retorna, consciente e luminoso, após atravessar as lições do tempo.

O Paradoxo da Evolução: Finita ou Infinita?

Quando pensamos na infinitude da obra divina, percebemos que é preciso distinguir dois movimentos diferentes do progresso:

  • Progresso de Superação (Finito): é a travessia da ignorância até uma perfeição relativa. Assim como nós, que já tropeçamos e aprendemos, o Espírito deixa de estar sujeito à dor quando alcança maturidade espiritual.
  • Progresso de Expansão (Infinito): ao atingir o estado de Espírito Puro, a evolução muda de natureza. Já não é luta contra imperfeições, mas expansão na glória do bem. Nesse ponto, o Espírito se torna cocriador em planos maiores, colaborando na formação de mundos e sistemas (Evolução em Dois Mundos, Cap. 1). São esses os guias e mentores da humanidade, os verdadeiros “Messias” que conduzem o progresso universal (Revista Espírita, Fev/1868).

Conclusão: O Equilíbrio da Obra Divina

A criação contínua nos mostra que o Universo nunca é estático. Enquanto novos Espíritos iniciam sua jornada na ignorância, outros bilhões já a concluíram, habitando a luz pura, onde o mal é apenas lembrança de uma infância espiritual superada. Para cada um de nós, o mal é finito; mas o progresso, este sim, é infinito. Assim, a obra divina se equilibra entre o constante nascer de aprendizes e a eterna expansão dos que já alcançaram a plenitude.


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A Criação Incessante e a Dissolução do Mal - Uma Perspectiva da Eternidade

Este estudo propõe uma síntese entre a Codificação Espírita de Allan Kardec e a visão científica de Pietro Ubaldi, dialogando ainda com Emmanuel e André Luiz pela obra de Chico Xavier. A criação incessante de novos espíritos é apresentada como processo dinâmico, em que o mal não possui substância própria, mas se revela apenas como transitoriedade da consciência em evolução. A trajetória da substância — da matéria ao espírito — é compreendida como escola vibratória, onde cada ato de vontade molda a ascensão ou a queda.
Ao integrar filosofia, ciência e espiritualidade, o texto mostra que a evolução não é condenação ao esforço sem fim, mas recomposição em glória da consciência, que retorna à Unidade como cocriadora da obra divina. A ética, assim, transforma-se em estética da alma, e a caridade em lei universal de reintegração.
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